Uma dieta low carb baseia-se na restrição da ingestão de hidratos de carbono (HC), incluindo açúcares.
Existem várias definições quantitativas, sendo as mais consensuais:
- Menos de 130 g de hidratos de carbono por dia
- Ou menos de 26% do total de energia diária ingerida
As principais fontes de hidratos de carbono devem ser:
- Legumes e hortícolas
- Fruta com menor teor de açúcar (por exemplo, frutos silvestres)
Por outro lado, devem ser limitados alimentos com maior teor de HC/açúcar, como:
- Cereais, arroz, massa e pão
- Batata
- Bolachas e produtos de pastelaria
- Leguminosas (ex: feijão)
- Refrigerantes, sumos e bebidas açucaradas
Importa salientar que não se trata necessariamente de uma restrição calórica, mas sim de uma alteração na proporção dos macronutrientes.
Aumento de gorduras saudáveis
A par da redução de hidratos de carbono, é habitual verificar-se um aumento do consumo de gorduras consideradas saudáveis.
Exemplos incluem:
- Azeite
- Manteiga
- Abacate
- Frutos secos (ex: nozes)
- Gordura naturalmente presente em alimentos de origem animal
Por este motivo, esta abordagem é frequentemente designada por low carb high fat (LCHF).
Devem ser evitadas gorduras consideradas nocivas, como:
- Gorduras trans (ex: margarinas)
- Óleos vegetais altamente processados (ex: óleo de girassol)
A ingestão de proteína deverá situar-se, em geral, entre 18% e 23% do total calórico, não se tratando de uma dieta hiperproteica.
Individualização é fundamental
Estes valores são orientadores e devem ser ajustados de forma individual, tendo em conta:
- Características clínicas
- Objectivos metabólicos
- Preferências alimentares
👉 Como explico no artigo sobre diabetes tipo 2, a abordagem deve ser sempre personalizada.
Low carb e diabetes tipo 2: o que diz a evidência?
Em 2019, a American Diabetes Association publicou um documento de consenso sobre o tratamento nutricional na diabetes e pré-diabetes.
Alguns pontos-chave incluem:
- Não existe uma distribuição ideal de macronutrientes aplicável a todos os doentes
- A alimentação deve ser adaptada aos objectivos e preferências individuais
- Diferentes padrões alimentares podem ser adequados
Os profissionais de saúde devem privilegiar:
- Vegetais com baixo teor de hidratos de carbono
- Redução de açúcares adicionados e cereais refinados
- Preferência por alimentos pouco processados
A redução da ingestão de hidratos de carbono é descrita como:
Uma das estratégias nutricionais com maior evidência na melhoria do controlo glicémico
Pode ser considerada em adultos com diabetes tipo 2:
- Fora dos objectivos glicémicos
- Ou quando a redução da medicação é uma prioridade
Benefícios potenciais da dieta low carb
De acordo com a American Diabetes Association, os principais benefícios incluem:
- Perda de peso
- Redução da HbA1c
- Diminuição da pressão arterial
- Redução dos triglicéridos e aumento do HDL
Podem também verificar-se:
- Redução do desejo por açúcar
- Melhoria de sintomas gastrointestinais (ex: refluxo, distensão abdominal)
- Melhoria de algumas condições, como enxaqueca ou acne
Considerações finais
A dieta low carb é uma estratégia nutricional com evidência científica relevante, particularmente na diabetes tipo 2.
No entanto, a sua implementação deve ser feita de forma individualizada e, idealmente, com acompanhamento médico.
Se pretende uma abordagem personalizada, poderá considerar agendar uma consulta.
