O diagnóstico da diabetes tipo 2 é clínico e laboratorial.
De acordo com a American Diabetes Association, o diagnóstico pode ser estabelecido quando está presente um dos seguintes critérios:
- Glicemia em jejum (≥ 8 horas) ≥ 126 mg/dL
- Glicemia 2 horas após ingestão de 75 g de glicose ≥ 200 mg/dL (prova de tolerância à glicose oral)
- Hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 6,5%
- Glicemia ocasional ≥ 200 mg/dL, na presença de sintomas de hiperglicemia (sede excessiva, aumento da frequência urinária, fadiga, alterações do estado de consciência, entre outros)
A diabetes desenvolve-se ao longo de vários anos
Na maioria dos casos, quando o diagnóstico é feito, a doença já está presente há vários anos.
A diabetes tipo 2 resulta de um processo progressivo, frequentemente associado à resistência à insulina, em que o organismo perde gradualmente a capacidade de regular os níveis de glicose no sangue.
Existe um contínuo de evolução:
- Estado metabólico normal
- Pré-diabetes (hiperglicemia intermédia)
- Diabetes tipo 2 estabelecida
> Como explico no artigo sobre resistência à insulina, este processo pode iniciar-se muitos anos antes do diagnóstico.
A importância da intervenção precoce
A evidência científica demonstra que quanto mais precoce for a intervenção, melhor o prognóstico.
Em fases iniciais, é possível:
- Evitar a progressão para diabetes
- Melhorar significativamente o controlo metabólico
- Em alguns casos, alcançar remissão da doença
Sinais a que deve estar atento
Numa fase inicial (pré-diabetes), os sintomas podem ser inespecíficos, como:
- Aumento de peso e do perímetro abdominal
- Desejo frequente por alimentos ricos em açúcar
- Sensação de fome persistente
- Fadiga
- Dificuldade de concentração
Podem também surgir características da chamada síndrome metabólica, incluindo:
- Obesidade
- Triglicéridos elevados
- HDL baixo
- Hipertensão arterial
- Ácido úrico elevado
- Esteatose hepática (“fígado gordo”)
Quem deve ser rastreado?
De acordo com a American Diabetes Association, o rastreio deve ser realizado:
- A partir dos 45 anos
- Em qualquer idade, se existir excesso de peso ou obesidade associados a fatores de risco, como:
- Doença cardiovascular
- História familiar de diabetes
- Hipertensão arterial
- História de diabetes gestacional
- Síndrome do ovário poliquístico
- Sedentarismo
- Sinais de resistência à insulina (por exemplo, acantose nigricans)
- Pré-diabetes
Se os resultados forem normais, recomenda-se repetir o rastreio pelo menos a cada 3 anos.
Avaliação individual
Cada caso deve ser avaliado individualmente, tendo em conta o contexto clínico, fatores de risco e objetivos terapêuticos.
Se pretende uma abordagem personalizada na prevenção ou tratamento da diabetes tipo 2, poderá considerar agendar uma consulta.
