
Uma das maiores preocupações dos doentes com diabetes tipo 2 é o valor do colesterol, em particular o LDL (“mau colesterol”). No entanto, o risco cardiovascular não depende apenas do LDL isolado, mas sim de um conjunto de alterações metabólicas conhecidas como dislipidemia aterogénica.
Neste artigo explico o que isto significa e porque é mais importante do que olhar apenas para o colesterol total ou LDL.
O problema de olhar apenas para o LDL
O LDL é muitas vezes visto como o principal marcador de risco cardiovascular. Embora importante, na diabetes tipo 2 e na síndrome metabólica ele não deve ser analisado isoladamente. O risco cardiovascular resulta de um padrão metabólico global.
O que é a dislipidemia aterogénica?
A dislipidemia aterogénica é uma alteração típica da diabetes tipo 2, obesidade e resistência à insulina.
Caracteriza-se por:
- triglicerídeos elevados
- HDL baixo
- LDL com partículas pequenas e densas
Porque é que este padrão é perigoso?
Este perfil está associado a maior risco de enfarte do miocárdio, AVC e doença aterosclerótica. As partículas LDL pequenas entram mais facilmente na parede arterial e oxidam mais facilmente, promovendo formação de placas de ateroma.
Como se diagnostica?
Os principais critérios são:
- Triglicerídeos > 150 mg/dL
- HDL baixo (<40 mg/dL nos homens e <50 mg/dL nas mulheres)
A razão triglicerídeos/HDL
Um dos marcadores mais úteis na prática clínica é a razão triglicerídeos/HDL. O valor ideal é inferior a 2, sendo desejável o mais próximo de 1.
Colesterol não é tudo
Na diabetes tipo 2, o risco cardiovascular depende de vários fatores e não de um único valor isolado: glicemia, tensão arterial, obesidade e perfil lipídico global.
Tratamento: medicação ou estilo de vida?
A abordagem deve ser individualizada.
A medicação está indicada sobretudo em prevenção secundária, ou seja, em doentes que já tiveram enfarte ou AVC, ou em risco cardiovascular elevado.
Inclui estatinas, ezetimiba e outros fármacos em casos selecionados.
Estilo de vida
Em muitos casos, alterações do estilo de vida são fundamentais:
- perda de peso
- exercício físico regular
- redução de hidratos de carbono refinados
- melhoria da resistência à insulina
Dieta low carb
Uma dieta low carb pode melhorar significativamente os triglicerídeos, aumentar o HDL e melhorar a resistência à insulina, atuando na base do problema metabólico.
Risco cardiovascular global
Hoje em dia avalia-se o risco cardiovascular global e não apenas um marcador isolado. Isto inclui todos os fatores metabólicos em conjunto.
Conclusão
O colesterol LDL isolado não é suficiente para avaliar o risco cardiovascular na diabetes tipo 2. A dislipidemia aterogénica representa o padrão metabólico mais importante e deve ser avaliada de forma integrada.
