O Sono e a Diabetes tipo 2

  1. A importância do sono

Uma boa noite de sono é indispensável para manter um bom estado de saúde global.

Não é à toa que passamos um terço da nossa vida a dormir!

O sono influencia: 

  • Equilíbrio hormonal
  • Peso
  • Memória 
  • Performance física e intelectual
  • Humor/equilíbrio emocional
  • Estado de alerta e concentração
  • Imunidade
  • Processo de envelhecimento

e inclusivamente o metabolismo, controlo da glicemia e sensibilidade à insulina.

Daí a relação entre sono e diabetes tipo 2.

Terá seguramente presente alguns fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, como por exemplo o excesso de peso ou o aumento do perímetro abdominal.

Mas é possível que desconheça a relação entre a qualidade e quantidade do sono, ou a falta deles, e o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

  1. Sono e Diabetes tipo 2

A  evidência epidemiológica disponível acerca da relação entre o sono e DM2 é bastante consistente.

Estão publicadas várias metanálises e na sua globalidade elas chegam às mesmas conclusões:

  • a quantidade e qualidade do sono predizem de forma consistente e significativa o risco de desenvolver diabetes tipo 2
  • são fatores de risco: o sono curto (< 5-6h) ou longo (>8-9h); a insónia de iniciação ou de manutenção.

A duração do sono que se associa a menor risco são 7-8h sono/noite.

  1. Explicação?

Embora não possamos estabelecer uma relação causal através da evidência epidemiológica, alguns estudos experimentais corroboram os resultados epidemiológicos,  comprovando que a privação do sono desencadeia perturbação na regulação da glicose e diminuição da sensibilidade à insulina.

Esses estudos sugerem várias causas possíveis.

A mais óbvia é a perturbação das hormonas envolvidas em mecanismos como a fome, saciedade e gestão da energia corporal.

Na privação de sono há: 

  • diminuição da Leptina (“hormona da saciedade”)
  • aumento da Grelina (“hormona da fome”), 

Resultado: aumento do apetite e da ingestão calórica total diária.

  • aumento do Cortisol (“hormona do stress”),
  • diminuição da Dopamina (“hormona do prazer”) 
  • diminuição da Serotonina (“hormona da felicidade”) 

Resultado: a tendência para a tristeza e falta de concentração, depressão e ansiedade, ou seja, uma mistura perfeita para a chamada “fome emocional”, comportamentos alimentares compulsivos, e maior procura de alimentos mais calóricos ricos em açúcar.

Outro dado também surpreendente que está demonstrado é que basta 1 noite de privação de sono para haver uma diminuição da sensibilidade do organismo à insulina, por outras palavras, a privação do sono favorece a resistência à insulina, processo que está na génese da Diabetes tipo 2.

PONTOS CHAVE:

  1. O sono adequado parece ter um papel importante no controlo da glicemia em doentes com diabetes tipo 2.
  2. Quer a má qualidade do sono, quer  a privação ou sono demasiado longo podem favorecer o descontrolo da diabetes tipo 2. A duração ideal de sono parecem ser 7-8h/noite
  3. A par de outros fatores de risco modificáveis, o sono também deverá ser tido em consideração na abordagem do doente com pré-diabetes ou diabetes tipo 2.