Como fazer o diagnóstico de Diabetes tipo 2 ?

 

O diagnóstico da diabetes tipo 2 é clínico e laboratorial

De acordo com a Associação Americana de Diabetes (ADA), qualquer um dos 4 critérios seguintes permite fazer um diagnóstico de diabetes tipo 2:

  1. Glicemia jejum (de pelo menos 8 horas) > 126mg/dl;
  2. Glicemia 2h após a ingestão de 75g de glicose > 200mg/dl (Prova de Tolerância à Glicose Oral);
  3. HbA1c > 6.5%;
  4. Glicemia ocasional > 200 mg/dl associada a sintomas de hiperglicemia (sede excessiva, urinar com maior frequência, desidratação, dor de cabeça, fadiga, prostração, alteração de comportamento e do nível de consciência – que pode evoluir para coma).

 

Atenção! Quando o diagnóstico de diabetes tipo 2 é feito estamos perante um paciente que, em geral, já está a adoecer há vários anos

A diabetes tipo 2 é um problema que se desenvolve ao longo de vários anos, por isso se fala num contínuum de doença: a pessoa transita do estado normal/saudável para um estado de pré-diabetes/hiperglicemia intermédia (valores de glicemia entre o normal e o estado diabético), e deste para um estado declarado de diabetes.

Nunca é tarde para intervir, mas sabemos, de acordo com a evidência científica, que quanto mais precoce for essa intervenção melhor o prognóstico, podemos evitar a progressão para diabetes, e podemos até reverter a doença.


Mas a que sinais as pessoas devem estar atentas?

Numa primeira fase de pré-diabetes, pode haver: aumento de peso e perímetro abdominal, compulsão por açúcar, fome incontrolável, défice de concentração, ansiedade, fadiga… 

É frequente começarem a surgir os sinais da designada síndrome metabólica: ocorrência simultânea de obesidade, triglicerídeos elevados, HDL-c (“bom colesterol”) baixo, hipertensão arterial, ácido úrico elevado, ou “fígado gordo”.


Quem deve ser rastreado? 

De acordo com a ADA:

O rastreio deve ser generalizado acima dos 45A, ou em qualquer idade caso exista excesso de peso/obesidade e outros fatores de risco, como:

  • Doença cardiovascular
  • História familiar de diabetes
  • Hipertensão arterial
  • História de diabetes gestacional
  • Mulheres com Síndrome do ovário poliquístico 
  • Sedentarismo
  • Sinais associados a insulino-resistência (p.e. obesidade severa, uma pigmentação escura na pele designada acantose nigricans,…)
  • Pré-diabetes

Se os exames forem normais é sugerida a repetição do rastreio no mínimo a cada 3 anos.